Mauricio Ribas - Escritor
"Bem-vindo ao espaço literário de Mauricio Ribas! Aqui, compartilho minha jornada como escritor, explorando histórias, reflexões e debates sobre leitura e escrita. Se você ama literatura e busca inspiração, este blog é o seu ponto de encontro!"
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sábado, 30 de agosto de 2025
Foi divulgado pela Imprensa
📰 **Cultura & Literatura | Destaque Nacional**
### Romance sobre amor e guerra é finalista do 2º Prêmio Candango de Literatura
**Brasília** — O romance *Glória aos Heróis: Um Amor em Meio à Guerra da Ucrânia*, do escritor curitibano Maurício Ribas, foi anunciado como finalista na categoria Romance do 2º Prêmio Candango de Literatura, uma das mais prestigiadas premiações literárias do país.
A obra, publicada pela editora Ipê das Letras, narra a trajetória de André Katyuk Richter, um ex-militar brasileiro que se muda para a Estônia em busca de uma nova vida e acaba se apaixonando por Maaria Saar, uma ativista dos Direitos Humanos. Com o início da guerra na Ucrânia, André decide se alistar como voluntário, enfrentando os horrores do conflito e o dilema entre o amor e o dever.
O Prêmio Candango, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, tem como objetivo valorizar a produção literária em língua portuguesa e consolidar Brasília como polo cultural internacional. A segunda edição do prêmio recebeu centenas de inscrições de autores lusófonos, reafirmando seu papel como vitrine da literatura contemporânea.
Maurício Ribas, que já se destacou por sua atuação nas áreas de diplomacia e filosofia, celebra a indicação como reconhecimento à força da literatura engajada. “Este romance é uma homenagem aos que lutam não apenas com armas, mas com ideias e sentimentos. Ser finalista do Candango é uma honra que compartilho com todos que acreditam no poder transformador da palavra”, declarou o autor.
📚 A cerimônia de premiação está prevista para o final do ano, em Brasília, com presença de escritores, editores e autoridades culturais.
terça-feira, 5 de agosto de 2025
Foi divulgado na imprensa – LANÇAMENTO DE LIVRO "Turning Point" Até que ponto você mudaria a sua história?
Maurício Ribas reúne arte, reflexão e emoção em noite memorável no Espaço Nina em Curitiba, PR – Outubro de 2025
No dia 01 de outubro, o escritor curitibano Maurício Ribas lançou seu mais novo livro, Turning Point – Até que ponto você mudaria a sua história?, em um evento marcante realizado no elegante Espaço Nina, no coração de Curitiba. A noite reuniu artistas, intelectuais, representantes da sociedade civil e leitores apaixonados, que prestigiaram o autor em uma celebração de ideias, beleza e consciência.
A obra, publicada pela Editora Multifoco, é um convite à introspecção. Com linguagem poética e filosófica, Turning Point propõe uma reflexão sobre o tempo, a consciência e a beleza silenciosa daquilo que, mesmo imperfeito, é verdadeiramente nosso. É um livro que fala sobre a vida — não como ela deveria ser, mas como ela é, com suas curvas, pausas e revelações.
“Este livro nasceu da necessidade de olhar para dentro. É sobre os momentos em que tudo muda, mesmo que nada pareça diferente por fora.” – Maurício Ribas.
Maurício Ribas é escritor, advogado e ativista. Formado pela Escola de Diplomacia da Estônia, com especialização em União Europeia e Relações Internacionais, e pós-graduado em Literatura, Filosofia e Arte pela PUC-RS, Ribas é membro da Anistia Internacional e da ICAN, com atuação em causas humanitárias e pacifistas. Já publicou obras como Ingel Addae, Questões Polêmicas – Relações Internacionais e Glória aos Heróis.
📚 Onde encontrar:
Turning Point está disponível na loja da Editora Multifoco
Formato físico e eBook, bem como na Amazon e Google Play
ISBN: [978-65-987927-0-1]
📣 Contato para imprensa e entrevistas
E-mail: [mauricio.dc.ribas@gmail.com]
Instagram: [@mauricioribas.pr]
Site oficial: www.mauricioribas.blogspot.com
sexta-feira, 4 de julho de 2025
As duas coisas infinitas
Albert Einstein disse uma vez: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta." Trata-se de uma crítica mordaz de Einstein, à irracionalidade que frequentemente domina o comportamento humano. Para Einstein, que era judeu, o verdadeiro perigo não estava apenas nas forças da natureza, mas na capacidade humana de agir contra a razão, mesmo diante de evidências claras.
Prova disso, são os números oficiais em Gaza, que denunciam que 18.800 crianças, foram mortas pelas forças de defesa de Israel. Refletindo sobre a monstruosidade desses dados, me dei conta que se colocássemos uma criança sobre o ombro da outra, tendo cada criança em média 1,10 m, a altura total seria maior que o Burj Khalifa, 828 m, mais de 23 vezes; mais alto que o Monte Everest, 8.848 m, mais que o dobro; seriam quase 20 km de altura, algo que ultrapassaria até mesmo a estratosfera.
Santo Deus! Estes números são os oficiais, porém está claro que esse número pode chegar ao dobro ou mais, porque nestes números não constam as crianças desaparecidas, aquelas que possivelmente estão sob as milhões de toneladas de escombros de milhares de casas, prédios, escolas, universidades, bibliotecas, hospitais, destruídos por Israel, sob a alegação falaciosa e espúria do direito de defesa. Para aqueles que não sabem os limites da legítima defesa são repelir uma agressão injusta, atual ou iminente, contra si ou contra terceiros, usando moderadamente os meios necessários para se proteger. A legítima defesa não é licença para violência indiscriminada. Fora isso, é assassinato mesmo, – ASSASSINATO. Importante lembrar que até para a guerra existem limites, bem fixados pelo Direito Internacional e é preciso que se diga que Israel já ultrapassou todos, e por isso cometeu e está cometendo vários crimes de guerra.
Vou um pouco mais além e explicar aos idiotas de plantão, porque Israel comete crimes de guerra mesmo alegando o Direito de Defesa. No Direito Internacional, o direito de legítima defesa entre Estados está consagrado no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, e é uma das poucas exceções à proibição geral do uso da força nas relações internacionais. O que diz o Artigo 51 da Carta da ONU? Diz que: “Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas...”
Ou seja, um Estado pode usar a força militar apenas se for atacado primeiro, ou com autorização do Conselho de Segurança da ONU, no entanto, para que a legítima defesa seja considerada lícita, é necessário: Ataque armado prévio. A resposta deve ser urgente e inevitável, sem alternativas diplomáticas viáveis, no entanto a Carta fala da proporcionalidade, isto é, a reação deve ser proporcional à agressão sofrida. Pergunto:Onde está a proporcionalidade?
O governo israelense é sem qualquer sombra de dúvida, terrivelmente responsável por todas estas mortes de crianças em Gaza, sem falar nas mortes de homens e mulheres inocentes assassinados sem o menor escrúpulo. Neste exato momento, morrem centenas de civis, principalmente crianças, de fome, vítimas da desnutrição. A fome está sendo utilizada como instrumento de guerra. Os soldados da IDF, divertem-se atirando nos civis que atraídos pela distribuição de algum alimento, entram em filas aos milhares e são vítimas de atiradores.
Voltando a Einstein, essa crítica sobre a estupidez humana, não era gratuita. Einstein viveu em uma era marcada por guerras mundiais, genocídios, preconceitos e o uso destrutivo da ciência — como a criação da bomba atômica, da qual ele próprio se arrependeu de ter contribuído indiretamente. Ele compreendia que o conhecimento técnico, sem sabedoria moral, poderia ser fatal. Einstein previu sobre os nossos dias, onde o conhecimento é em grande parte desprovido de sabedoria moral. Mas não apenas isso. O que pensar de nossa espécie e dos rumos que estamos tomando? Onde está a humanidade — esse atributo que nos diferencia, ou diferenciava, de outras espécies? O mundo se cala diante dessas barbáries. No entanto, haverá um dia em que a justiça triunfará, e todas as lágrimas serão enxugadas. Palestina livre.
#LiteraturaDeResistência #PalestinaLivre
#MauricioRibasEscritor #ArtePorPalestina
#NarrativasRevolucionárias #EscritorMilitante
sexta-feira, 20 de junho de 2025
O que a história de Ruby Bridges conta sobre a humanidade e o problema com qual todos continuamos vivendo?
Imagine uma garotinha de apenas seis anos, caminhando com passos firmes entre uma multidão hostil, escoltada por quatro agentes federais. Essa é a imagem icônica de Ruby Bridges, a primeira criança negra a integrar uma escola primária de brancos no sul dos Estados Unidos, em 1960. Sim ontem, apenas 65 anos passados.
Ruby nasceu em 1954, no Mississippi, e cresceu em uma época em que, apesar da decisão da Suprema Corte americana de acabar com a segregação nas escolas, muitos estados do sul resistiam ferozmente à mudança. Quando sua família se mudou para Nova Orleans, sua mãe se voluntariou para que Ruby participasse de um programa de integração escolar. Ela foi a única entre seis crianças negras a ser designada para a Escola William Frantz.
No seu primeiro dia de aula, Ruby enfrentou uma multidão de manifestantes brancos gritando insultos racistas. Muitos pais tiraram seus filhos da escola, e todos os professores, exceto uma — Barbara Henry — se recusaram a ensiná-la. Ruby passou o ano inteiro tendo aulas sozinha com a professora, que a tratava com carinho e respeito.
A coragem de Ruby foi eternizada na pintura The Problem We All Live With (O problema com o qual todos vivemos) de Norman Rockwell, que mostra a menina em seu vestido branco, cercada por agentes federais, com pichações racistas e um tomate esmagado na parede ao fundo. Essa obra de arte me fez chorar, logo cedo e por isso escrevo essa crônica. Até quando vamos conviver com o racismo e a intolerância? Até quando continuaremos aceitando as injustiças?
Hoje, Ruby Bridges é uma ativista pelos direitos civis e pela educação, e sua história é um símbolo poderoso da luta contra o racismo e da força que uma criança pode ter diante da injustiça. Free Palestine!
domingo, 8 de junho de 2025
A literatura brasileira e a sua cara
Qual é a cara da literatura brasileira? Como estamos produzindo no campo fértil da literatura? Essas são questões de grande relevância porque tratamos de uma das mais poderosas armas de transformação de que dispõe a humanidade.
Em artigo na Folha de São Paulo de 07 de junho do corrente ano, que discute a predominância do conteúdo sobre a forma na literatura brasileira contemporânea, a autora, Walnice Nogueira Galvão, destaca o impacto do movimento social em torno da negritude, evidenciado na lista dos melhores livros do século. A Folha convidou cem pessoas para indicarem, cada uma, dez livros que não poderiam ficar de fora de uma seleção que reunisse o melhor da literatura brasileira do século 21. Ela observa que essa tendência se estende à ficção, ao ensaio e às artes, servindo como uma reparação simbólica aos males históricos da escravidão e sua emancipação problemática, o que eu concordo.
Entretanto, Galvão aponta um paradoxo: enquanto a temática da negritude domina, outros temas relevantes, como o feminismo, a cultura indígena e questões queer, aparecem de forma muito menos expressiva. Esse desequilíbrio levanta questionamentos sobre a influência dos editores e do mercado literário nas escolhas dos leitores.
Por fim, a autora sugere que essa ênfase excessiva no conteúdo pode estar desviando a literatura de sua natureza artística e experimental, aproximando-a do entretenimento, o que é uma lástima. Ela especula se essa mudança está ligada ao aumento do interesse pela biografia dos autores, em detrimento de sua obra.
A literatura, em sua essência artística e experimental, busca transcender o simples ato de contar histórias e se tornar um espaço de inovação estética e reflexão profunda. Segundo Walnice Nogueira Galvão, há uma preocupação crescente de que a literatura brasileira esteja se afastando dessa essência ao priorizar o conteúdo sobre a forma.
A literatura experimental, por exemplo, desafia convenções tradicionais, explorando novas estruturas narrativas, estilos e até formatos visuais. Autores como James Joyce e Virginia Woolf revolucionaram a escrita ao brincar com a linguagem e a percepção do tempo.
O risco de uma literatura voltada apenas para o entretenimento é que ela perde sua capacidade de provocar e desafiar o leitor. A experimentação literária permite que a arte se reinvente, criando novas maneiras de expressar ideias e emoções, isso é fundamental e necessário.
A verdade é que o Brasil nunca teve um escritor laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, apesar de algumas indicações ao longo dos anos. Entre os brasileiros que já foram considerados para o prêmio estão Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Clarice Lispector.
Uma das razões apontadas para essa ausência é a falta de apoio institucional e reconhecimento internacional, a falta de apoio é uma vergonha, leva entre outras coisas à falta de reconhecimento. Diferente de países como a Noruega, França e Estados Unidos, o Brasil não tem uma tradição forte de promover seus escritores globalmente. Além disso, a língua portuguesa tem menos alcance internacional, o que dificulta a visibilidade dos autores brasileiros.
Outro fator mencionado é a falta de consenso interno. Segundo relatos, quando um escritor brasileiro é indicado, há pouca mobilização nacional para apoiá-lo, ao contrário do que acontece em outros países, perdoem-me dizer é o “complexo de vira-lata” e a inveja que predominam.
Também é verdade, que a literatura brasileira tem sido criticada por sua falta de conteúdo universal, além disso, há um debate sobre a posição do Brasil na literatura mundial. Alguns estudiosos apontam que a literatura brasileira ocupa um lugar periférico no cenário global e enfrenta dificuldades para se inserir em um discurso mais universal. A falta de um projeto amplo de interculturalidade literária no ensino também contribui para essa limitação, já que a formação dos leitores brasileiros tende a ser mais voltada para produções nacionais e menos para um diálogo com outras tradições literárias.
Por outro lado, há iniciativas que buscam ampliar essa perspectiva, como a literatura periférica, que desafia barreiras e propõe uma visão mais universal da experiência brasileira.
O conteúdo universal na literatura refere-se a temas que transcendem fronteiras culturais e dialogam com questões humanas amplas. Alguns exemplos incluem:
• Identidade e pertencimento: A busca por identidade, seja individual ou coletiva, é um tema recorrente na literatura mundial. No Brasil, autores como Machado de Assis exploraram essa questão em obras como Dom Casmurro.
• Conflitos sociais e desigualdade: A literatura brasileira frequentemente aborda desigualdade racial, social e econômica, temas que ressoam globalmente.
• Amor e relações humanas: As complexidades do amor, da amizade e da família são temas universais. José de Alencar e Clarice Lispector exploraram essas dinâmicas em suas obras.
• Memória e história: A literatura brasileira dialoga com eventos históricos e suas consequências, como a escravidão e a ditadura militar, conectando-se a narrativas semelhantes em outras partes do mundo.
• Natureza e meio ambiente: A relação entre o homem e a natureza é um tema global urgente.
A literatura tem um papel fundamental na provocação de reflexões profundas no leitor, indo além do entretenimento e estimulando o pensamento crítico. A literatura de reflexão é um gênero que busca explorar questões filosóficas, sociais e existenciais, levando o leitor a questionar suas próprias crenças e valores.
Algumas das principais características desse tipo de literatura incluem:
• Temas universais: A busca pela verdade, a moralidade, a liberdade e a solidão são questões que transcendem culturas e épocas.
• Narrativas desafiadoras: Obras como A Metamorfose, de Franz Kafka, e O Estrangeiro, de Albert Camus, fazem o leitor refletir sobre identidade e o absurdo da existência.
• Uso de simbolismos e metáforas: Autores frequentemente utilizam camadas de significado para enriquecer a experiência de leitura.
• Exploração da condição humana: A literatura pode ser um espelho da alma, ajudando o leitor a compreender melhor a si mesmo e o mundo ao seu redor.
A literatura que provoca reflexão profunda não apenas informa, mas transforma. Ela desafia percepções, estimula o autoconhecimento e pode até influenciar mudanças sociais.
Por último gostaria da abordar a questão da forma que segundo a autora falta na literatura brasileira, pois prioriza-se mais o conteúdo. A forma na literatura refere-se à maneira como uma obra é estruturada, estilizada e apresentada artisticamente. Enquanto o conteúdo trata do que é dito, a forma se preocupa com como isso é expresso. Alguns elementos essenciais da forma incluem:
Estilo e linguagem: O uso de metáforas, simbolismos, ritmo e sonoridade na escrita.
Estrutura narrativa: A organização dos eventos, como narrativas não lineares, fluxo de consciência ou múltiplas perspectivas.
Experimentação estética: Inovação na construção textual, como o uso de fragmentação, poesia visual ou jogos de palavras.
Trabalho com o significante: A preocupação com a materialidade da linguagem, indo além do significado imediato das palavras.
É isso, é arte, a literatura de ficção é um instrumento de transformação, um poderoso instrumento, temido, amado e odiado, não é à toa que livros foram destruídos por regimes autoritários em diferentes épocas e ainda são. Além do que em nossos dias as tentativas ou a consumação de censura tentam eliminar aquelas obras tidas como mais nocivas para o sistema. Não é à toa que sociedades desiguais mantem modelos educacionais que não valorizam a literatura, não incentivam crianças e adultos a lerem, antes os condenam a uma vida de analfabetismo ou analfabetismo funcional com modelos educacionais aviltantes, portanto bem distante dos livros.
É preciso que se diga e repita e se combata a triste realidade brasileira. Em nosso país a desigualdade socioeconômica, leva a uma grande disparidade no nível de leitura entre jovens de alta e baixa renda. “A OCDE aponta que a capacidade de leitura dos jovens brasileiros é fortemente influenciada pelo status socioeconômico”. (OCDE. Relatório de educação, Paris: OCDE, 2023), não sem razão, o baixo nível de ensino das populações mais pobres e a falta de incentivo à leitura, fazem da questão uma questão estrutural, o que vou chamar de “aliteratura” ou “anliteratura” estrutural.
Esses dados reforçam a tese que defendo de que a literatura de ficção serve para transformar o ser humano e que o ser humano uma vez transformado, transforma o mundo. Por isso ela é temida, porque nos faz pensar, constrói o conhecimento, a literatura de ficção transforma as nossas certezas em incertezas, abala nossos alicerces, provoca nossa reflexão, faz perguntas muito mais que dá respostas, faz-nos refletir sobre a vida e o seu sentido, mexe com os nossos preconceitos, desconstrói nossas convicções. Eu me atrevo a dizer que a tese de Paulo Freire que afirma que o conhecimento não deve ser passado, mas construído no aluno, central em sua pedagogia, ou seja, um processo dialógico e participativo, onde o aluno é um sujeito ativo na construção do conhecimento, pode ser aplicado no entendimento do processo da literatura de ficção. O livro dialoga com o leitor, da mesma forma que Freire suscita que o professor deve dialogar com o aluno para que o aprendizado ocorra de forma interativa, porque o livro é problematizador que não transforma o leitor em um recipiente vazio a ser preenchido, como Paulo Freire critica na forma de ensino convencional. Viva a literatura brasileira e a sua capacidade de se reinventar, o que é urgente.
sexta-feira, 6 de junho de 2025
Gaza precisa de nós Agora! Gaza needs us NOW!
"The humanitarian crisis in Gaza has reached an unbearable level of suffering. Children cry out for food, families are torn apart, and hope fades with each passing day. The president of the International Committee of the Red Cross declared that Gaza has become 'worse than hell on Earth'—yet the global response remains insufficient.
This is not just a conflict. It is an unprecedented humanitarian disaster. We need urgent international mobilization to ensure an immediate ceasefire, unrestricted humanitarian aid, and the protection of fundamental rights for the Palestinian people.
Every voice matters. Share, protest, demand action from world leaders. Together, we can stop this tragedy from continuing. Gaza needs us NOW!"_
domingo, 23 de março de 2025
A quem serve o Santo Graal?
A história do Rei Pescador e Parsifal é uma das mais conhecidas na tradição do ciclo arturiano e nas lendas do Santo Graal. O Rei Pescador, “Fisher King”, também chamado de Rei Ferido, estava gravemente doente, tinha feridas horríveis por todo o corpo e além disso o reino dele estava passando por uma terrível situação de fome e miséria nunca antes vivida, o que simboliza a decadência espiritual do reino. Só havia uma saída, encontrar o Santo Graal. O Santo Graal para quem não sabe é o cálice que foi usado por Jesus na última ceia e que teria, por isso, poderes inimagináveis.
Parsifal, um jovem cavaleiro, embarca na busca pelo Graal com o objetivo de restaurar a saúde do Rei Pescador e trazer prosperidade ao reino. No entanto, sua jornada é repleta de desafios, incluindo provas de fé, coragem e pureza. Ele passa por uma jornada de amadurecimento, aprendendo sobre a compaixão e o dever espiritual, até estar preparado para completar sua missão, ou seja, encontrar o Santo Graal.
Quando Parsifal finalmente encontra o Santo Graal na lenda, a pergunta que ele deveria fazer ao Rei Pescador é: "A quem serve o Graal?", dependendo da versão da história. Essa pergunta é crucial para quebrar o ciclo de sofrimento do Rei e restaurar a saúde dele, assim como a harmonia no reino. Sem a resposta correta do rei, Parsifal não poderia levar consigo o Santo Graal e salvar o reino. Notem que nesta versão o rei deve saber a resposta e sem ela seu reino não será salvo.
Parsifal, em sua primeira tentativa, não faz essa pergunta devido à sua imaturidade ou falta de compreensão espiritual, mas, em seu retorno, ao ter aprendido com suas jornadas e crescido como pessoa, ele finalmente faz a pergunta certa e pode completar sua missão, desde que a resposta à pergunta seja a correta.
Em uma das versões mais espirituais da lenda, onde a resposta à pergunta sobre a quem serve o Santo Graal é "Ao Senhor do Graal," interpretado como Deus ou uma força divina, ou ainda a quem se destina o Poder de transformação do Santo Graal. Essa resposta, reconhece que o Graal não é apenas um objeto físico, mas um símbolo espiritual ligado à conexão com o divino e ao serviço altruísta e que para que ele atue na transformação pretendida, na cura, a pergunta tem de ser feita e a resposta certa deve ser dada. Note-se que a pergunta é tão importante quanto a resposta.
Essa interpretação destaca que aqueles que servem ao Graal são chamados a viver uma vida de pureza, fé e compaixão, dedicados ao propósito maior de ajudar e iluminar os outros, fazer justiça e valorizar a vida. Podemos reimaginar o Santo Graal como um símbolo da tecnologia moderna - algo profundamente desejado por seu potencial transformador. Assim como na lenda, o Graal deveria trazer cura e prosperidade ao reino, assim como a tecnologia, em nossos tempos, deveria servir como uma ferramenta para promover igualdade, bem-estar e soluções para problemas globais, portanto estaríamos respondendo à pergunta a quem serve o Santo Graal. Portanto, o Santo Graal deve servir ao senhor do Santo Graal, que em última análise é toda a humanidade, porque a humanidade é a obra suprema de Deus, o que nos é lembrado na passagem onde Cristo diz que o que fizeste ao mais pequenino fizestes a mim, isso certamente é revelador.
No entanto, quando o "Graal da tecnologia" é monopolizado por grupos, oligarquias ou governos focados apenas em interesses próprios, ela acaba aumentando as desigualdades e perpetuando a miséria, desviando-se do verdadeiro propósito, tudo porque não está a serviço da humanidade. A pergunta que Parsifal deveria fazer ao Rei Ferido – “A quem serve o Graal?” – pode ser adaptada: “A quem serve a tecnologia?” Precisamos nos indagar. A resposta ideal seria: “A humanidade como um todo.” A tecnologia deve ser utilizada para democratizar oportunidades, combater a desigualdade e fomentar um futuro mais sustentável para o planeta e por isso precisa ser posta a serviço de toda a humanidade e não apenas de alguns.
A tecnologia, o conhecimento, têm um potencial incrível para transformar a humanidade positivamente. De fato, ela poderia – e deveria – ser usada para enfrentar desafios urgentes como o aquecimento global, a miséria, doenças, a fome e tantas outras questões que afetam bilhões de pessoas. O que é a tecnologia? Tecnologia é o conjunto de conhecimentos, ferramentas, técnicas e processos criados e aplicados pelos seres humanos para resolver problemas, melhorar a vida, ou atender a necessidades específicas. Ela abrange desde invenções simples, como a roda, até os sistemas mais complexos, como inteligência artificial e redes globais de comunicação.
No entanto, quando a tecnologia é colocada a serviço de interesses destrutivos, como a guerra, a perpetuação de conflitos que devoram bilhões de dólares, o lucro fácil em detrimento de outros povos, a mentira como instrumento de manipulação, a xenofobia, o nacionalismo, o racismo, a destruição do planeta através da sua exploração desenfreada, acabamos vendo um desperdício trágico desse potencial. É o desvio da verdadeira missão da tecnologia, do conhecimento, que deveria ser um "graal moderno" para beneficiar a coletividade, promovendo a harmonia entre povos e o equilíbrio com o planeta. Destarte, nossos “reinos” estão apodrecendo como as feridas do Rei sofredor e a humanidade fragilizada é o seu reino.
Transformar essa realidade exige um esforço coletivo, tanto de governos quanto da sociedade civil, para reorientar o uso da tecnologia, do conhecimento para fins pacíficos e sustentáveis. É um desafio que requer ética, visão a longo prazo e, acima de tudo, a vontade de servir ao bem comum.
A alegoria do Santo Graal e do sofrimento do Rei Pescador funciona como um poderoso reflexo do estado da humanidade contemporânea. O Graal, enquanto símbolo de cura e harmonia, representa as soluções que buscamos — seja na tecnologia, na ciência ou no conhecimento — para os grandes desafios que enfrentamos, como a miséria, o aquecimento global, as desigualdades sociais e fazermos frente ao desafio de colocar tudo isso a serviço de todos e não de poucos.
Já o Rei Pescador, ferido e incapaz de liderar, pode ser visto como uma metáfora para o estado de fragilidade da nossa civilização, que luta para encontrar equilíbrio diante de conflitos, crises e divisões. Assim como Parsifal na lenda, somos desafiados a encontrar as perguntas certas, além das respostas e os caminhos corretos para servir a esse "graal" de soluções que pode restaurar a prosperidade e a saúde do nosso mundo.
Essa analogia nos convida a refletir sobre nossas responsabilidades e prioridades como sociedade. De que forma podemos agir como Parsifal e superar os erros do passado? A educação, como sabemos, é a verdadeira base para mudar o rumo da humanidade. Investir nas futuras gerações é mais do que preparar crianças e jovens para o mercado; é cultivar cidadãos críticos, conscientes e compassivos, capazes de pensar de forma independente e atuar pelo bem coletivo.
Enfrentar a desinformação e resistir contra a tentativa de transformar a educação em algo alienante são batalhas que exigem união, perseverança e coragem. A educação deve ser um espaço de libertação, onde as pessoas aprendem não apenas a saber, mas também a cuidar, a questionar, a dialogar. Empatia e solidariedade nascem de uma compreensão mais profunda do mundo e do sofrimento humano – e isso pode ser ensinado e amplificado em contextos educacionais.
Essa visão do mundo oferecida lembra muito o Rei Pescador da lenda, esperando por alguém como Parsifal para fazer a pergunta certa e começar a curar as feridas de um reino adoecido. Nós, como sociedade, homens e mulheres, temos o potencial de nos tornarmos esse Parsifal, buscando soluções justas e solidárias calcados na pureza de propósitos, na empatia, na fé, na compaixão e no amor. A quem serve o Graal?
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