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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Hipocrisia da Mídia: Entre o Incêndio na Suíça e os Bombardeios em Gaza

O início do ano novo foi marcado por uma tragédia na Suíça: jovens morreram em um incêndio em um bar de uma pequena cidade, que tem uma famosa estação de esqui. A mídia internacional não tardou em cobrir cada detalhe, especular sobre as causas e exibir apresentadores visivelmente consternados e profundamente sensibilizados diante das câmeras. A comoção foi imediata, os discursos de pesar se multiplicaram e a narrativa ganhou espaço privilegiado nos noticiários. No entanto, essa mesma mídia parece incapaz de demonstrar igual consternação diante da realidade brutal que se desenrola em Gaza. Há mais de dois anos, milhares de pessoas — homens, mulheres e crianças — têm sido mortas em bombardeios diários, despedaçadas ou carbonizadas por armas israelenses com apoio explícito dos Estados Unidos. A repetição da violência, a impunidade e o silêncio cúmplice transformaram o massacre em rotina invisível. A contradição torna-se ainda mais evidente quando um líder, como Benjamin Netanyahu, aparece em um evento social, tranquilamente assistindo a queimas de fogos na residência de Donald Trump em Mar-a-Lago, localizada em Palm Beach, mesmo com mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra cometidos. A normalização dessa presença contrasta com a cobertura sensacionalista de tragédias europeias, revelando um padrão seletivo de indignação. O que se expõe, portanto, é uma hipocrisia estrutural: vidas europeias, brancas e ricas são tratadas como preciosas e dignas de luto coletivo, enquanto vidas palestinas, pobres e de pele escura são relegadas ao esquecimento. A mídia, ao reproduzir esse desequilíbrio, reforça uma hierarquia implícita de quem merece compaixão e quem pode ser descartado. Não se trata de negar a dor das famílias suíças, mas de denunciar a falsa universalidade da solidariedade midiática. O mundo chora quando a tragédia atinge os privilegiados, mas permanece indiferente quando a barbárie se repete contra os despossuídos. Essa seletividade revela que, no fundo, não é a humanidade que importa, mas o lugar social e racial de quem sofre. A inescrupulosa mídia em verdade não se importa com nada, apenas em faturar bilhões e fazer o jogo do sistema.

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