"Bem-vindo ao espaço literário de Mauricio Ribas! Aqui, compartilho minha jornada como escritor, explorando histórias, reflexões e debates sobre leitura e escrita. Se você ama literatura e busca inspiração, este blog é o seu ponto de encontro!"
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Resenha Crítica do livro Turning Point - Até que ponto você mudaria a sua história?
Maurício Ribas, em *Turning Point*, constrói uma obra que se inscreve na tradição da literatura contemporânea de caráter híbrido, situada entre o romance introspectivo e o texto motivacional. A narrativa não se limita a contar uma história, mas se propõe como experiência de leitura que interpela diretamente o leitor, convidando-o a refletir sobre os momentos decisivos de sua própria trajetória.
A obra apresenta uma **estrutura fragmentada**, alternando episódios narrativos com reflexões filosóficas. Essa forma não-linear funciona como metáfora da própria experiência humana, marcada por rupturas e recomeços. O estilo de Ribas é **confessional e oralizado**, criando proximidade com o leitor. A cadência discursiva aproxima-se da conversação, mas é permeada por imagens poéticas — o tempo como rio, o passado como sombra, o futuro como horizonte.
O livro problematiza a relação entre **escolha e destino**, **arrependimento e reconstrução**, propondo que cada “turning point” é uma oportunidade de reescrever a própria história. Nesse sentido, Ribas dialoga com tradições literárias que exploram memória e subjetividade.
Aqui podemos evocar **Paul Ricoeur**, em *A memória, a história, o esquecimento*, ao afirmar que a memória é sempre seletiva e interpretativa. Ribas parece consciente dessa dimensão: ao narrar pontos de virada, mostra que não se trata de fatos objetivos, mas de reconstruções subjetivas que moldam a identidade.
Do mesmo modo, é possível relacionar a obra com **Walter Benjamin**, em seu ensaio *O narrador*. Benjamin observa que a experiência moderna é marcada pela fragmentação e pela perda da transmissão tradicional de sentido. Ribas, ao propor uma narrativa que interpela diretamente o leitor, busca recuperar essa dimensão de experiência compartilhada, transformando o ato de narrar em um gesto de transmissão e reflexão.
Mais do que uma trama ficcional, *Turning Point* se destaca pela sua **dimensão performativa**: o texto funciona como espelho, provocando o leitor a se ver refletido e a se perguntar até que ponto mudaria sua própria história. Essa característica aproxima a obra de uma literatura de testemunho, mas com forte carga filosófica e ética.
*Turning Point* deve ser compreendido como uma obra de fronteira, que transita entre literatura e filosofia prática. Sua relevância reside na capacidade de articular narrativa e reflexão, estética e ética, oferecendo ao leitor não apenas uma história, mas uma experiência de questionamento existencial. Ao propor esse diálogo, Maurício Ribas inscreve-se na tradição de autores que utilizam a literatura como espaço de transformação e de interrogação sobre o sentido da vida.
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