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quarta-feira, 6 de maio de 2026
Entre a terra e o coração - Reflexões a partir do meu novo romance Sob a Sombra das Oliveiras
Há histórias que não nascem de um projeto, mas de uma inquietação. Crescem lentamente, alimentadas por perguntas que não encontram resposta fácil — e que, por isso mesmo, insistem. O romance Sob a Sombra das Oliveiras, que venho escrevendo, nasce desse lugar. Não foi pensado para explicar um conflito, nem para defender um lado. Muito menos para oferecer respostas prontas a uma realidade que, há décadas, resiste a qualquer simplificação. O que me moveu foi outra coisa: a tentativa de compreender o que acontece com o ser humano quando ele nasce dentro de uma história que já começou antes dele. O que herdamos? Até onde vai a responsabilidade pelo passado? E, sobretudo, é possível interromper ciclos de dor que parecem se repetir de geração em geração?
A narrativa percorre diferentes tempos e espaços, mas se concentra em algo essencial: as relações humanas. Famílias, amizades, amores que surgem e se desenvolvem em meio a tensões profundas. É nesse plano íntimo — onde a História deixa de ser abstrata — que as decisões mais difíceis são tomadas. Porque, no fim, os grandes conflitos não se sustentam apenas por discursos ou ideologias. Eles se mantêm vivos quando passam a habitar o cotidiano das pessoas, moldando suas escolhas, seus medos e suas formas de ver o outro.
Escrever esse romance tem sido, acima de tudo, um exercício de escuta. Escutar vozes distintas, trajetórias que não cabem em explicações simplistas, experiências que desafiam qualquer tentativa de julgamento rápido. Ao longo do processo, tornou-se cada vez mais evidente que compreender não significa concordar — mas talvez seja o primeiro passo para que algo diferente se torne possível.
Sob a Sombra das Oliveiras não pretende oferecer conforto. Também não pretende convencer. Seu compromisso é outro: criar um espaço onde o leitor possa se aproximar de realidades que, à distância, parecem irreconciliáveis, mas que, vistas de perto, revelam complexidade, humanidade e contradição.
Vivemos um tempo em que as respostas costumam vir antes das perguntas. Em que os lados são definidos com rapidez, e o outro, muitas vezes, reduzido a uma ideia. Talvez a literatura ainda tenha um papel a cumprir justamente aí. Não o de resolver conflitos — isso seria pretensão demais —, mas o de devolver ao leitor a possibilidade de sentir antes de julgar, de ouvir antes de reagir, de reconhecer no outro algo que não pode ser reduzido a uma posição. Se este romance conseguir, ainda que de forma modesta, provocar esse movimento, já terá cumprido o seu propósito.
Porque, no fim, a história que se passa em uma determinada terra pode dizer mais sobre todos nós do que imaginamos. E talvez o primeiro passo para qualquer reconciliação possível comece exatamente aí: na disposição de abrir espaço, dentro de si, para aquilo que ainda não se compreende por completo.
Maurício Ribas
Escritor, advogado e professor de Direito
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