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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Sob a Sombra das Oliveiras – Isaac e Ishmael Sinopse - Livro ainda em fase de finalização

Entre Jerusalém, Gaza, Ramala, São Paulo e Oslo, cinco gerações de duas famílias atravessam quase um século de guerras, exílios, perdas e reencontros, ligadas por uma origem comum que a História insistiu em transformar em ruptura. Sob a Sombra das Oliveiras – Isaac e Ishmael é uma saga literária multigeracional que acompanha judeus e palestinos desde os anos que antecedem a criação do Estado de Israel até os conflitos contemporâneos do século XXI. Mais do que um romance histórico, a obra é uma investigação profundamente humana sobre memória, pertencimento, identidade e a possibilidade — talvez utópica, talvez necessária — de reconciliação entre povos marcados pelo trauma. O romance se inicia em 2023, no amanhecer de 7 de outubro. Sob o mesmo céu ainda tranquilo, dois homens observam o início de um dia que mudará suas vidas para sempre. Isaac, descendente de judeus sobreviventes do Holocausto, desperta em Jerusalém poucos instantes antes das sirenes anunciarem o ataque do Hamas. Em Gaza, Ishmael contempla a manhã silenciosa sem imaginar que aquele mesmo dia abrirá uma nova ferida na história da sua terra. Nenhum dos dois compreende ainda a dimensão da tragédia que se aproxima, mas ambos reconhecem que algo irreversível começou. A partir desse ponto, a narrativa retorna ao passado. Em 1942, em São Paulo, Ibrahim Levi, judeu alemão refugiado do nazismo, tenta reconstruir a vida ao lado da esposa Hanna, dos filhos e do pequeno neto Isaac. Carregando o peso da culpa por ter conseguido sair enquanto seus familiares permaneciam presos na Alemanha, Ibrahim vive entre a esperança e o medo, aguardando notícias que talvez nunca cheguem. Em meio às celebrações do Shabat, às orações e à rotina simples da comunidade judaica no Bom Retiro, ele procura preservar no neto a continuidade de uma tradição ameaçada pela barbárie. Ao mesmo tempo, em Ramala, Omar Al-Husseini, professor palestino de História, observa com crescente inquietação as mudanças que atravessam a Palestina sob o Mandato Britânico. Humanista, intelectual e defensor da convivência entre árabes e judeus, Omar tenta ensinar ao filho Ishmael que dignidade e justiça não precisam nascer da violência. Mas o mundo ao redor começa lentamente a desmenti-lo. À medida que o Holocausto é revelado ao mundo e o movimento sionista ganha força internacional, judeus perseguidos na Europa passam a chegar em massa à Palestina. Entre eles está a família Levi, que abandona definitivamente o Brasil em busca de um lar seguro na terra prometida. A travessia clandestina no navio Exodus 1947 e o confronto com as autoridades britânicas tornam-se experiências decisivas para o jovem Isaac, que cresce acreditando que a sobrevivência judaica depende da construção de um Estado próprio. Do outro lado, os palestinos observam a transformação acelerada da sua terra. O sonho de independência vai sendo substituído pelo medo do deslocamento e da perda. Omar tenta resistir politicamente, defendendo a criação de dois Estados e denunciando tanto o colonialismo britânico quanto a radicalização crescente do conflito. Seu filho Ishmael, porém, pertence a outra geração. Uma geração moldada pela Nakba, pelas expulsões, pelos campos de refugiados e pela sensação de abandono histórico. Quando a guerra de 1948 explode, os caminhos das duas famílias tornam-se inseparáveis. Décadas depois, em meio à ocupação, às guerras sucessivas e ao aprofundamento das feridas históricas, o destino produz um encontro improvável. Zac — apelido de Isaac Levi, bisneto de Ibrahim — apaixona-se por Maria, filha de Ishmael Al-Husseini, o guerrilheiro palestino morto anos antes em um confronto militar comandado pelo próprio pai de Zac. O amor entre os dois nasce como uma afronta silenciosa ao ódio herdado pelas gerações anteriores. Enquanto a violência continua moldando o cotidiano de israelenses e palestinos, o romance acompanha as transformações das novas gerações. Em Oslo, jovens judeus, palestinos e noruegueses descobrem a amizade, o amor e a possibilidade de diálogo em meio aos debates políticos e às cicatrizes carregadas por suas famílias. Em Gaza, médicos, professores e ativistas tentam preservar humanidade em meio ao colapso permanente. Em Jerusalém, militares, intelectuais e sobreviventes convivem com o peso da memória e da culpa. Ao longo da narrativa, os personagens enfrentam perdas irreparáveis, dilemas morais e escolhas que atravessam gerações. Alguns mergulham na radicalização. Outros resistem à lógica da vingança. Todos, porém, carregam a mesma pergunta: é possível continuar humano quando a própria História parece empurrar homens e povos inteiros para a desumanização? Construído sobre espelhamentos simbólicos entre Isaac e Ishmael — os filhos bíblicos de Abraão — o romance utiliza a tradição judaica, cristã e islâmica como ponto de partida para refletir sobre pertencimento, herança espiritual e reconciliação. As oliveiras que atravessam a narrativa tornam-se símbolo dessa permanência: árvores antigas, feridas pelo tempo, mas ainda capazes de florescer. Em uma terra onde memória e trauma se confundem, Sob as Sombras das Oliveiras – Isaac e Ishmael propõe uma visão rara do conflito israelo-palestino: não a partir da ideologia, mas da experiência humana. O romance atravessa guerras, deslocamentos, campos de refugiados, atentados, exílios e perdas familiares para mostrar que, antes de serem inimigos históricos, judeus e palestinos talvez continuem sendo aquilo que sempre foram desde o princípio: irmãos separados pela História, mas ligados pela mesma condição humana. Ao final, resta apenas a pergunta que atravessa todo o romance: será possível que Isaac e Ishmael enterrem juntos não apenas o pai Abraão, mas também o próprio ódio que herdaram?

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