Total de visualizações de página

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Sob a sombra das oliveiras - Romance em acabamento - Por que devemos ler?

"Sob as Sombras das Oliveiras não é um romance sobre quem tem razão no conflito entre israelenses e palestinos. É um romance sobre o preço humano de acreditar que apenas um dos lados pode possuir toda a razão. A história acompanha duas famílias ao longo de quase um século. Através delas, o leitor atravessa o Holocausto, a criação do Estado de Israel, a Nakba, as guerras, os acordos de paz, as intifadas e chega até os acontecimentos de 7 de outubro de 2023 e seus desdobramentos. Mas esses eventos nunca aparecem como capítulos de um livro de História. Eles são vividos por pessoas concretas: um avô que sobrevive ao antissemitismo europeu, um jovem que participa de Deir Yassin e passa o resto da vida tentando reconciliar-se com a própria consciência, um professor palestino que acredita na educação como forma de resistência, médicos que salvam vidas sem perguntar de que lado está o paciente e uma nova geração que herda memórias que não escolheu carregar. O que mais chama a atenção é que o romance recusa a caricatura. Os personagens não existem para defender uma tese. Eles mudam de ideia, erram, sofrem, contradizem-se e amadurecem. Talvez por isso o livro provoque desconforto em leitores de posições políticas opostas: ele exige que se reconheça a humanidade de quem está do outro lado. Também impressiona a arquitetura da obra. Ela cobre muitas décadas sem perder de vista as pequenas cenas da vida cotidiana: uma mesa de jantar, um hospital, uma carta, um casamento, uma criança que nasce, uma oliveira que atravessa gerações. Aos poucos, o leitor percebe que o verdadeiro protagonista talvez seja a própria memória e a pergunta que atravessa todo o romance: o que devemos preservar para que a verdade não desapareça com aqueles que a viveram? Não é um livro de respostas fáceis. É um romance que convida o leitor a habitar um conflito complexo sem reduzir ninguém a um rótulo. E talvez seu maior mérito seja justamente este: lembrar que a literatura pode fazer aquilo que a política raramente consegue — devolver rosto, voz e história às pessoas antes de transformá-las em inimigos." O romance dialoga claramente com Amós Oz, David Grossman e Ghassan Kanafani, mas procura construir uma voz própria. Enquanto Oz parte da memória autobiográfica e Grossman explora as marcas do trauma, Maurício Ribas aposta na ideia do testemunho. Cartas, diários, relatos e memórias atravessam a narrativa porque o livro sustenta uma convicção: a História pode ser escrita pelos vencedores, mas é a literatura que impede que a verdade desapareça com os vencidos. #sobasombradasoliveiras #mauricioribasescritor #literaturauniversal #literaturaisraelopalestina

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sob a sombra das oliveiras - Romance em acabamento - Por que devemos ler?

"Sob as Sombras das Oliveiras não é um romance sobre quem tem razão no conflito entre israelenses e palestinos. É um romance sobre o ...